Com ocupação de 96,61% dos leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) exclusivos para Covid-19 e fila de espera de 355 pessoas por esse tipo de vaga – dados da noite de quinta-feira (25/3) –, o tempo de internação é fator decisivo para a lotação dos hospitais durante a pandemia. No Distrito Federal, 82,35% dos internados de alta complexidade (foto em destaque) ficam até 15 dias com esse tipo de suporte, segundo dados do painel InfoSaúde.
Um dos fatores que pode contribuir para o tempo de internação é a explosão de jovens infectados com quadro grave. De acordo com a Secretaria de Saúde (SES), houve aumento de 2.800% no total de internados com menos de 24 anos, no período entre 1º de janeiro e 30 em março.
Segundo o presidente da Regional DF da Associação Brasileira de Medicina Intensiva (Amib-DF), Rodrigo Biondi, os jovens levam mais tempo para se recuperar, já que eles têm maior resposta às terapias, sobrevivendo mais tempo e, por consequência, ocupando por mais tempo o leito de UTI. “Na primeira onda, a média [de tempo de internação] ficava em 13/14 dias, porque dentro da média se inclui pacientes que entram em óbito, e jovens, mesmo os que falecem, levam mais tempo”, explicou.
Na rede pública, dos 17 hospitais que atendem pacientes de alta complexidade com Covid-19, nove estão lotados, segundo dados atualizados às 19h10 de quinta-feira. Dos 430 leitos, 371 estão ocupados, 13 vagos, e outros 46 aguardando liberação ou bloqueados. Se considerarmos apenas as vagas em leitos para adultos, a taxa de ocupação sobe para 98%. Do total de pessoas na fila, 270 estão com suspeita ou confirmação de Covid-19.
Variantes
Outro fator que pode contribuir para o aumento das internações são as mutações do vírus. Em coletiva de imprensa na última quinta (25/3), o secretário de Saúde do DF, Osnei Okumoto, anunciou que a nova variante britânica da Covid-19 foi encontrada em pacientes do DF. De acordo com o titular da pasta, das cinco cepas diferentes detectadas, a P1 – conhecida como a mutação de Manaus – é a mais predominante entre os pacientes atualmente internados na capital do país.
No início do mês, a Secretaria de Saúde (SES) identificou pelo menos quatro variantes da Covid-19 em circulação no Distrito Federal: P1, P2, B.1.1.28, B.1.1.143. Entre elas, a de Manaus, apontada como a mais transmissível e que pode reinfectar pessoas que já tiveram o vírus. Com a nova mutação britânica encontrada, a B.1.1.7, são cinco variantes em transmissão comunitária na capital.